Levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros do Estado aponta que em pelo menos 95% dos casos o fogo foi causado pelo homem

26 de agosto de 2019

O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina concentra esforços no combate a diversos focos de incêndio florestal. Em Florianópolis, as chamas atingiram o Parque do Rio Vermelho, no Norte da Ilha. Essa e outras 10 ocorrências atendidas no fim de semana, também no Sul da Capital, serão somadas ao levantamento feito pela corporação que já aponta 2.023 focos de incêndio em todo o Estado.

Os dados compreendem ocorrências atendidas de janeiro até 21 de agosto deste ano. No entanto, de acordo com o major Zevir Cipriano Júnior, membro da Câmara Técnica de Combate a Incêndios Florestais, cerca de um quarto desses atendimentos ocorreram entre os dias 12 e 21 de agosto. Pelas condições climáticas, agosto e setembro são os meses com maior número de casos de fogo em vegetação no Estado.

— Esse número representa aumento de cerca de 12%, se comparado ao ano anterior. Aqui o El Niño faz a diferença no aumento no total de incêndios, não só em Santa Catarina, mas em todo o Brasil. Por ser inverno, é o período mais seco, em que o solo não recebe tanta umidade, também facilita a propagação — explica.

Entre 92% e 95% dos casos tem ação direta do homem

O major ainda reforça que, com o tempo seco, pequenos focos de incêndio se alastram rapidamente em áreas com capim e nos chamados capoeirões. Por isso, é preciso cuidado redobrado para não criar ambientes propícios para o surgimento de novas ocorrências, como fogueiras feitas em acampamentos ou mesmo durante trilhas e até queimadas em área rural.

— Cerca de 92% a 95% das causas dos incêndios florestais são humanas diretas, ou seja, o homem está relacionado com a causa e os motivos são os mais diversos, o que a gente mais observa é a queima para limpeza de pequenas propriedades rurais. Tem que ter muita atenção. Sabemos que é uma prática antiga e a técnica mais barata para limpar o solo, mas a incidência do vento contribui para propagação e aumento de intensidade do fogo — alerta Cipriano.

Nesse sentido, os bombeiros sugerem algumas manobras de segurança que podem evitar que a queimada saia do controle, atingindo áreas de floresta. Uma das medidas citadas pelo major é deixar uma área sem nenhuma vegetação no entorno da área que será queimada. Assim, o fogo não teria como “ser alimentado”.

— Trabalhamos muito produtos químicos biodegradáveis, que não agridem a natureza, misturados nas bombas costais. Eles agem em cima da vegetação criando uma película que quebra o ciclo de alimentação que o fogo tem — conclui.

Desmatamento também está entre as possíveis causas

Em entrevista no fim de semana, o 1º tenente e chefe do Centro de Comunicação Social do Corpo de Bombeiro Militar de Santa Catarina (CBMSC), Ian Triska, reforçou que os incêndios florestais não surgem apenas por fatores climáticos. Na avaliação dele, o desmatamento também contribui para a incidência de fogo em vegetações.

— No caso do incêndio do Rio Vermelho, um fator importante é aquela área de reflorestamento de pinus, eucaliptos, que é muito seca. Com a mata nativa, quando não há desmatamento, é mais difícil ter incêndio, porque a mata nativa é mais úmida, tem a folhagem mais espessa — explica.

Oeste e Sul de SC concentram risco de fogo nos próximos dias

De acordo com dados do portal do programa de monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as regiões Oeste e Sul do Estado são mais propensas a registrar incêndios nos próximos três dias. Nessas áreas a classificação da previsão de risco de incêndio é crítica. Já na região da Serra, onde no domingo foram registrados cinco incêndios, sendo um em uma fazenda e outros dois em terrenos, o risco é alto.

O Inpe também acompanha, por satélite, o total de focos de incêndio ativos por Estado desde 1998. O levantamento, atualizado nesta segunda-feira (26), mostra que, do começo de agosto até agora, 705 focos foram registrados em Santa Catarina, o total mais expressivo em comparação com os outros sete meses do ano. No acumulado de 2019 são 1.086 focos de incêndio em SC.

No levantamento histórico, o instituto ainda mostra que, no ano passado, em agosto haviam sido observados 574 focos ativos de incêndio no Estado. Desde 1998, o ano que mais registrou ocorrências em toda a série histórica — não apenas nos meses de agosto — foi justamente em agosto de 2003, quando 2.611 focos foram observados.

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