Com R$ 23,5 milhões a menos, postos de trabalho terceirizados foram fechados e novas turmas não devem ser abertas. Materiais de consumo para aulas práticas também não está sendo comprado

3 de setembro de 2019

Os cortes promovidos pelo Ministério da Educação (MEC) em instituições de ensino de todo o país mexeram com o caixa do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Até agora, houve a redução de R$ 23,5 milhões, o que atinge a abertura de novas turmas, a manutenção de trabalhadores terceirizados e a aquisição de materiais para as aulas práticas a serem ministradas no ano de 2020.

A reitora da instituição Maria Clara Schneider, afirmou que uma “cota de empenho” chegou a ser liberada no começo desta semana, mas não foi suficiente para atender a demanda.

– Como já atingimos o limite do bloqueio, nem essa estratégia emergencial resolve. Já enviamos um comunicado dizendo que não vamos lançar edital de assistência estudantil, o que interfere diretamente nas bolsas dos alunos de baixa renda. Até o final do ano, elas estão ameaçadas.

Com menos dinheiro, o IFSC cortou em atividades que “não comprometam as aulas diretamente”, como a redução de postos de trabalhos ligados à segurança – que foi substituída por vigilância eletrônica – e na compra de materiais de consumo. Porém essa estratégia compromete as aulas práticas, que dependem desse dinheiro para não serem substituídas pelas teóricas.

– Cursos como Construção Civil, Mecânica e outros exigem materiais que precisam ser comprados ainda em 2019 para serem usados em 2020. O impacto é sentido ao longo do tempo, já que precisamos concentrar mais em aulas teóricas em detrimento das práticas pela falta de materiais.

Desconfiança sobre o Future-se

Apesar das dificuldades financeiras, a reitora vê com cautela as alternativas oferecidas pelo próprio MEC – uma delas é o programa que facilita a assinatura de contratos entre Organizações Sociais (OS) e instituições de ensino técnico e superior do país. Isso viabilizaria o financiamento de projetos de pesquisa e extensão das universidades e dos IFs com recursos oriundos da iniciativa privada.

– Nós estamos analisando com muito cuidado porque essas parcerias podem enfraquecer a autonomia e a gratuidade das instituições. O nosso princípio é sermos autônomos e prestadores de educação de qualidade e sem custo, e o programa pode comprometer isso.

As vagas já existentes na instituição estão mantidas, mas novos cursos ou oportunidades para o ano letivo de 2020 podem não ser abertos para evitar o comprometimento de mais recursos.

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