O parlamentar criticou a inclusão do livro “Um útero é do tamanho de um punho”, de Angélica Freitas, na lista de obras para o vestibular unificado de duas universidades.

18 de setembro de 2019

Um livro de poesias, cuja leitura será obrigatória para os candidatos do Vestibular 2020 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), causou polêmica na Ordem do Dia da sessão ordinária desta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O assunto foi tema de pronunciamento do deputado Jessé Lopes (PSL), na parte inicial da sessão.

O parlamentar criticou a inclusão do livro “Um útero é do tamanho de um punho”, de Angélica Freitas, na lista de obras para o vestibular unificado das duas universidades. Na tribuna, ele leu pontos de algumas poesias. Os textos faziam referências a elementos cristãos e aos órgãos reprodutores masculino e feminino.

Indignado com o teor das poesias, Jessé apresentou moção, de número 463/2019, na qual repudia a inclusão da obra no vestibular.  A deputada Luciane Carminatti (PT) afirmou que se absteria da votação por não conhecer o conteúdo do livro.

O deputado Bruno Souza (sem partido) declarou apoio à moção. “Livro de péssimo gosto. Fico pensando onde estão os clássicos, as leituras fundamentais para o desenvolvimento dos jovens”, disse. “Me parece que esse livro contém financiamento público. Mesmo aqueles que discordam do péssimo gosto do livro, são obrigados a financiar isso.”

Luciane, então, pediu que a votação fosse nominal, ou seja, cada deputado teria que manifestar seu voto no painel do plenário. Para a deputada, a moção representa censura.

“Dizer o que cabe ou não do ponto de vista da arte, não cabe aos legisladores. Os legisladores têm que cumprir com a Constituição”, disse a parlamentar. “Não sei se o problema de alguns é da cintura pra baixo ou do pescoço pra cima. Isso nós ainda vamos ter que descobrir.”

Jessé retornou ao microfone, leu trechos das poesias e criticou a obra. “Não é questão de sexualidade, estão ferindo os valores cristãos. É muito mais grave do que simplesmente sexualidade”, disse o deputado.

O autor da moção afirmou que passou vergonha ao comprar ao livro. Disse, ainda, que presentearia Luciane com a obra “para que ela possa presentear alguém da família que tenha 18 anos e que queria saber qual o tamanho do útero e se um punho cabe dentro dele.”

Jessé Lopes também  recebeu apoio dos deputados Jair Miotto (PSC) e Ana Campagnolo (PSL). “Esse conteúdo é irrelevante do ponto de vista acadêmico. O livro, além de ser ruim, tem um conteúdo desnecessário”, disse Ana. “Qual a necessidade do acadêmico ler um livro que faz referências a enfiar o dedo no ânus?”

O deputado Ivan Naatz (PV) criticou a atenção dada ao tema e classificou o debate como “triste e cômico”. “É como se a gente não tivesse nada para fazer”, afirmou. “Santa Catarina com tantos desafios e nós perdendo tempo para discutir o que alguém vai ler ou não vai ler. Chega a ser vergonhoso para a Assembleia Legislativa.”

A moção 463/2019 não chegou a ser votada por falta de quórum e se não for retirada pelo autor, será apreciada nas próximas sessões da Alesc.

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