Em um debate, ele propôs buscar uma forma de matar os animais para controlar uma suposta superpopulação

31 de outubro de 2019

Tradicionais e simpáticas, as capivaras que costumam passear em Itajaí (SC), precisam se cuidar. Em um debate sobre a presença delas na área urbana, surgiu a proposta de um vereador de buscar uma forma de matar os animais para controlar uma suposta superpopulação na cidade.

A polêmica foi levantada pelo vereador Vanderley Dalmolin. Ele chegou a usar o termo “exterminação” dos animais. “Mas quando eu falei em exterminar, na verdade é reduzir”, explicou ao Jornal Diarinho.

Segundo ele, é preciso controlar o crescimento da população desses animais, que estariam prejudicando até mesmo os agricultores, já que atacam as plantações.

O vereador diz que pretende buscar projetos e ideias que são debatidos em outros estados, como supostamente estaria ocorrendo em São Paulo, por exemplo.

Vanderley Dalmolin também ressalta que as capivaras são portadoras do carrapato estrela, que transmite a febre maculosa e garante que esses animais são ferozes. “Já vi capivara matar cachorro. O dia que acontecer de pegar uma criança, vocês vão dar valor ao que eu falo”, disse.

Ainda para Vanderley Dalmolin, as capivaras não seriam nativas de Santa Catarina. “Alguém que trouxe elas lá do Norte, lá do Pantanal”, soltou.

Capivaras no ambiente urbano têm efeito positivo, diz biólogo

Para o biólogo Ricardo Corbetta, do laboratório de Ciências Ambientais da Univali, as capivaras que circulam no ambiente urbano de Itajaí tem alguns efeitos positivos.

Um deles tá ligado à formação de uma consciência ambiental e de preservação por parte da população. O outro tá ligado ao turismo, já que as capivaras acabam sendo uma verdadeira atração.

O que precisa haver, ressalta o biólogo, é a criação de um plano de ação para evitar problemas futuros, incluindo a proliferação de carrapatos ou mesmo de algum acidente envolvendo as capivaras, que são os maiores roedores do mundo. “É preciso criar protocolos de ações, caso aconteça algo, criar planos de manejo e avaliar os custos e os benefícios das ações, tanto para a saúde, quanto para o turismo”, afirma.

E isso Itajaí não possui. Segundo o instituto Cidade Saudável, não há um levantamento da quantidade de animais e nenhuma ação relacionada ao monitoramento ou controle populacional. “O ICS acompanha a presença das capivaras, embora não faça nenhuma ação de manejo desses animais. A ação do ICS se dá quando há denúncia de maus-tratos ou caça, por exemplo, que não são frequentes”, diz o órgão.

Diarinho

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