Frei Gustavo Wayand Medella, OFM, Secretário para a Evangelização da Província Franciscana emitiu a mensagem que é muito oportuno para nós refletir juntamente com os franciscanos.

7 de novembro de 2019

Estamos nos aproximando mais uma vez do Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco, a ser celebrado no Domingo que antecede a Solenidade de Cristo Rei, já no fechamento do ano litúrgico. Em sua mensagem por ocasião da data, neste ano, o Santo Padre nos convida enquanto sociedade a uma autocrítica, onde somos questionados a investigar o motivo pelo qual, apesar de todos os avanços e progressos, nossa sociedade permanece marcada por uma escandalosa desigualdade. “Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada”, escreve o Santo Padre.

          Na mesma mensagem, o Pontífice apresenta a intensidade do drama que estes nossos irmãos experimentam na própria carne e toda recusa e incompreensão que enfrentam diariamente: “Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir! Tendo-se tornado, eles próprios, parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo. Aos pobres, frequentemente considerados parasitas da sociedade, não se lhes perdoa sequer a sua pobreza. A condenação está sempre pronta. Não se podem permitir sequer o medo ou o desânimo: simplesmente porque pobres, serão tidos por ameaçadores ou incapazes”, denuncia e lamenta o sucessor de Pedro.

          Além destas e outras tristes constatações, a Mensagem também traz palavras de estímulo e provocação à comunidade cristã, reafirmando a convicção de que o compromisso concreto com o pobre é parte irrenunciável da missão evangelizadora da Igreja, da qual não se pode abrir mão: “‘A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora’» (EG, 195), é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos. É neles que a caridade cristã encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe força e dá vigor ao anúncio do Evangelho”.

          Além das sábias e oportunas palavras do Papa Francisco, a atenção especial ao pobre se faz elemento fundante da vida franciscana e aparece com destaque em nosso Plano de Evangelização, permeando nossos princípios, prioridades e também as diretrizes de cada uma de nossas cinco frentes. Certamente, muitas iniciativas para marcar a data já estão planejadas e outras tantas ainda deverão surgir de acordo com a criatividade evangelizadora de nossas presenças.

          A título de orientação e lembrete, partilho duas sugestões que podem ajudá-los a celebrar com mais intensidade esta data tão cara e importante para nós:

1) Leitura, estudo e reflexão da Mensagem do Papa Francisco

Trata-se de um texto denso de conteúdo e muito provocativo. Seria salutar estudá-lo, refleti-lo e trabalhá-lo nos diversos ambientes que compõem nossas Frentes de Evangelização (aulas, reuniões, ambiente acadêmico, celebrações, programas de rádio e televisão, momentos formativos, trabalhos sociais, catequese, acolhida de romeiros, junto às pastorais e movimentos etc.)

2)  Conscientes de que as ações praticadas neste dia são a visibilidade de um compromisso bem mais profundo, o convite é que partilhemos estas iniciativas num espírito de mútua colaboração e incentivo recíproco. Sendo assim, solicito que, em nossas cinco frentes, as ações realizadas por ocasião da data sejam registradas em um texto e também com fotos e/ou outros recursos visuais para serem partilhadas em nosso site e nas redes sociais. Seria excelente se, no texto produzido, também fossem enfocados os passos futuros que se pretendem fazer nascer a partir daquela determinada ação.

Certo de que este Dia Mundial dos Pobres é mais uma ocasião que generosidade de Deus oferece para crescermos em generosidade e amor, deixo meu fraterno abraço.

Que Maria Santíssima nos cubra com sua ternura!

Dom Frei Severino Clasen, ofm

Bispo Diocesano de Caçador

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