Ação rápida da operadora para acionar o freio de emergência impediu o atropelamento; ela está afastada da função pelo abalo emocional

19 de novembro de 2019

A condutora do metrô que evitou o atropelamento de um homem caído nos trilhos foi afastada pelo abalo emocional sofrido. As informações são da repórter Joyce Ribeiro, do Portal R7.

O coordenador de tráfego do Metrô, Gildo Prado, explica que “por se tratar de um evento pós-traumático, com o alto stress da situação, ela está afastada preventivamente e deu início ao acompanhamento médico-psicológico oferecido pela empresa”.

O acidente foi na Linha 1- Azul, na estação São Joaquim, no último domingo (17), às 6h28. O homem de identidade não revelada estava andando na plataforma, segundo o Metrô, quando caiu.

Salvo por segundos

Em imagens divulgadas por uma testemunha que estava na plataforma, é possível ver o momento em que a vítima está desmaiada em meio aos trilhos, quando um trem ainda no túnel se aproxima.

A maquinista consegue frear a tempo e não atinge o homem. A composição para exatamente em cima da vítima. Segundo Gildo Prado, ainda no túnel, a condutora apenas notou o corte de energia.

A interrupção foi feita pela estação por causa de uma estranha movimentação na plataforma. Ela, no entanto, não conseguia ver os outros passageiros pedindo para que o trem não avançasse e nem falou com a central de controle.

“Ela teve uma atitude muito acertada e rápida ao acionar o freio de emergência. Ela soube interpretar os sinais vitais do trem. Pela inércia, o metrô poderia ter até alinhado na plataforma”, revelou o coordenador de tráfego.

Energia estava cortada

Ao acionar o freio de emergência, o trem para cerca de 3 segundos depois, mas isso vai depender também da lotação do metrô, isto é, do peso que carrega. Como a energia já estava cortada, a vítima não mais corria o risco de um choque elétrico, mas sim de um atropelamento.

O nome da condutora não foi divulgado, mas ela está há 1 ano e 6 meses na operação de trens e tem cerca de 5 anos no Metrô. Ainda não há uma data para que ela volte à condução dos trens. De um total de quase mil condutores, 20% são mulheres.

Treinamento

Para operar os trens do metrô, os funcionários passam por um treinamento que dura até 4 meses. O intuito é que eles aprendam a atuar também em situações de anormalidade, como pessoas nos trilhos, alteração na circulação dos trens, mas também a alinhar a composição na plataforma e até a se comunicar com passageiros. Antes de conduzir o trem sozinha, a pessoa é acompanhada por um monitor.

No treinamento, o Metrô usa simuladores que criam as reais condições das vias. Um deles fica no pátio do Jabaquara, na zona sul, e o outro em Itaquera, na zona leste da capital. Há também um programa de reciclagem para os antigos funcionários.

O Metrô informou ainda que já contratou portas automáticas de segurança para todas as estações, como já ocorre na linha 4-Amarela. “O cronograma de instalação vai até 2023”, garantiu Gildo Prado.

A orientação aos passageiros é procurar imediatamente um funcionário assim que identificar atos que possam colocar em risco a segurança do usuário.

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