Simone Bordin foi ouvida pela polícia nesta sexta-feira (6) e conta que viu a filha ser morta pelo padrasto

9 de dezembro de 2019

“Eu não consigo acreditar que ele fez isso com a minha filha. Ele assassinou a minha filha, na minha frente, uma criança que não tinha culpa de nada. Ela só tinha 12 anos. Ele levou tudo, os sonhos dela, tudo”. Com os olhos cheios de lágrimas, Simone Bordin saiu da Delegacia de Homicídios na tarde desta sexta-feira (6) ainda sem entender os motivos pelos quais a filha, Maria Clara Bordin Guilherme, não estará a esperando em casa.

O primeiro depoimento de Simone aconteceu uma semana após a filha ser morta, com um tiro na cabeça, na madrugada de sexta-feira (29), dentro da casa do padrasto João Fábio Salles da Silva, de 43 anos, no bairro Iririú, em Joinville, Norte do Estado.

Ela contou o que aconteceu na noite em que a filha foi morta. Apesar de já estarem separados, Simone e João Fábio mantinham um bom relacionamento e, naquela noite, os dois foram a uma lanchonete com um casal de amigos depois que ela saiu do trabalho. Simone morava com a filha na casa do ex-companheiro porque estava com alguns problemas financeiros e “organizando a vida e olhando novos lugares para morar”.

Ao chegar na casa do ex-companheiro, Simone disse que iria dormir na mãe. Enquanto aperta as mãos em um claro sinal de nervosismo, ela conta que chamou a filha Maria Clara, que disse, de dentro da casa, “mãe, ele trancou a porta”.

Quando Simone se aproximou da janela da sala para ver o que estava acontecendo, viu a cena que nunca mais esquecerá. “Eu cheguei na janela e os dois estavam sentados no sofá-cama que eu dormia com ela, na sala. Não deu tempo pra nada. Ela não teve tempo de reação. Ele atirou na cabeça dela. Não falou nada, só me olhou, viu que eu estava vendo e atirou. Depois ele levantou e eu achei que fosse me matar, mas não, ele atirou na própria cabeça”, lembra. “Ele estava esperando que eu aparecesse na janela para matar ela. Ele queria que eu visse a morte da minha filha. Ele não atiraria enquanto eu não chegasse na janela. Não falou nada, só atirou”, completa.

A arma utilizada no crime, conta ela, foi uma herança deixada pelo pai de João Fábio há cerca de três anos.

Caso pode ser caracterizado como feminicídio

Depois de ver a filha ser morta, Simone ligou para a polícia e pediu ajuda a vizinhos, mas ela já sabia que Maria Clara não sobreviveria. “Eu vi minha filha ser morta”, lamenta.

Agora, para Simone, o que ficou foram lembranças, saudade e uma dúvida que ela nunca vai conseguir sanar. “Eu não consigo acreditar, também quero saber o porquê ele fez isso com a minha filha”, diz. Ela conta que a adolescente e o padrasto tinham um ótimo relacionamento e que ele gostava muito de Maria Clara, a quem chamava de ‘Mariazinha’. “Eu confiei a minha filha na mão dele. Eu deixava os dois juntos”, fala, com a voz embargada.

O depoimento de Simone é considerado peça-chave para o encaminhamento do inquérito. Segundo o delegado Dirceu Silveira Júnior, outras testemunhas devem ser ouvidas nas próximas semanas. “O depoimento confirma as informações iniciais”, diz. O delegado ressalta, ainda, que, inicialmente, o caso é tratado como homicídio, mas pode se caracterizar como feminicídio por causa do vínculo de convivência. Além disso, a Polícia Civil aguarda o resultado de laudos periciais.

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