Em nota, a Polícia Militar do Paraná afirmou que resolveu a situação “demonstrando que a PM é uma instituição absolutamente treinada, preparada e pode ser acionada sem nenhum formalismo, ou seja, até com um aceno de mão”

20 de janeiro de 2020

Um vídeo que mostra uma mulher negra sendo acusada por outros passageiros de ter furtado a carteira de uma idosa dentro de um ônibus em Curitiba viralizou nas redes sociais.

O registro foi feito na última quinta-feira (16), por volta das 12h40, em um biarticulado da linha Santa Cândida x Capão Raso, próximo ao Shopping Estação. Na ocasião, policiais militares chegaram a revistar a bolsa da mulher, que não quis falar com a imprensa e nem registrou boletim de ocorrência. O vídeo, que até a noite deste sábado (18) já somava 77 mil visualizações, mostra os passageiros acusando a mulher negra até que, após cinco minutos de confusão, o item roubado foi encontrado com uma outra passageira, de pele branca, da qual não haviam suspeitado.

De acordo com a vendedora Evelyn Duarte, 22, que filmou toda a ação, apesar de estar desesperada, a mulher acusada de furto manteve a calma e tentou explicar às pessoas que era inocente. “Chegou o momento em que os envolvidos foram para perto do motorista do ônibus e a idosa que teve a carteira roubada disse que chamaria a polícia. O marido desta senhora, um homem branco, repetia o tempo inteiro que a mulher negra que estavam acusando era a responsável pelo furto. Chegou a dizer, inclusive, que tinha visto a moça cometer o crime”, explicou Evelyn.

Em poucos instantes, policiais militares que estavam em uma viatura parada na Praça Oswaldo Cruz, na região central da cidade, entraram no ônibus e imediatamente começaram a revistar a bolsa da mulher. “Quem entrou no ônibus começou a acusá-la injustamente sem saber o que tinha acontecido, assim como todas as pessoas que já estavam lá dentro”, conta Evelyn.

A verdadeira responsável pelo furto foi apontada por um homem, que acompanhou toda a movimentação, mas só apontou a responsável após a revista policial. Evelyn contou ainda que a vítima não quis registrar boletim de ocorrência porque “a Justiça não existe para pretos, que não têm direito algum”, segundo ela.

Racismo teria motivado o episódio Para Evelyn, as acusações foram motivadas por racismo. “Todo mundo estava observando a ação, mas ninguém se meteu. Quando a verdade veio à tona e viram que a culpada era a outra mulher, o idoso sequer pediu desculpa à primeira suspeita. A mulher dele veio se desculpar comigo, mas não era a mim que ela devia desculpas”, conta a jovem.

“Quem estava julgando era a sociedade, as pessoas dentro do ônibus, sem ao menos conhecê-la. Dói, dói muito. Eu segurava o choro porque mulher preta tem que ser forte o tempo todo, mas a gente nunca consegue. Quis passar para essa mulher muita força e, principalmente, que ela não precisava passar por isso sozinha”, desabafa Evelyn, que, mesmo durante o acontecido, já acusava a todos dentro do ônibus de racismo.

“As pessoas gritavam, questionavam o fato de eu estar defendendo a moça. Chegaram, inclusive, a falar que, se eu estava com dó, eu que a levasse para casa”, conclui a jovem.

A mulher responsável pelo furto foi conduzida pela Polícia Militar para fora do ônibus e logo foi liberada. Questionada pela reportagem quanto à abordagem dos policiais, a corporação ainda não se pronunciou sobre o caso.

Outro lado

Em nota, a Polícia Militar do Paraná afirmou que resolveu a situação “demonstrando que a PM é uma instituição absolutamente treinada, preparada e pode ser acionada sem nenhum formalismo, ou seja, até com um aceno de mão”. “Independente de cor, raça ou gênero a PM atua com objetivo de salvaguardar vidas e proteger aqueles que, por ventura, encontrem-se vulneráveis ou necessitados de apoio da Corporação. A PM abordou, neste caso, uma mulher negra, que foi indicada pelas vítimas, mas fez a abordagem com o consentimento dela, assim como abordou outro mulher, igualmente indicada no local”, diz a nota.

UOL

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