Grasiela Cazella vive com o marido e o filho de oito anos na Espanha, onde mais de mil pessoas já morreram por coronavírus

21 de março de 2020

“Levantamos, tomamos café, nos vestimos e tentamos fazer a vida como se fossemos sair de casa. Isso ajuda psicologicamente e tentemos fazer tudo o que fazemos em nossa vida cotidiana”, assim está sendo a rotina do casal Grasiela e Bernardo, e do filho deles, Marcos, que vivem na Espanha, depois que começou a quarentena.

Grasiela Mendes Cazella é ex-moradora de Ponte Serrada e está residindo com o marido em Albacete, na Espanha, há 15 anos. A ex-ponteserradense, que trabalha em uma farmácia online, conversou com o Oeste Mais para relatar os dias de confinamento e preocupação que vem tendo no local onde vive com a família, devido ao novo coronavírus.

O Covid-19 matou mais de mil pessoas na Espanha, onde vários serviços de emergência estão sobrecarregados diante de uma epidemia que cresceu exponencialmente em uma semana e que totaliza quase 20 mil casos no país.

A Espanha é agora o terceiro país do mundo com mais casos, o que pode ser explicado por sua maior capacidade de fazer testes. A situação mais angustiante acontece na região de Madri, que concentra mais de um terço dos casos e 628 mortes, 63% do total, 130 delas nas últimas 24 horas.

Isso levou a região a solicitar assistência do exército para instalar um hospital com 500 leitos de terapia intensiva, e para transportar os cadáveres dos mortos pelo coronavírus, conforme o site Gaucha ZH.

Marido militar

Apesar de Grasiela e Marcos permanecerem em casa e dentro das normas estabelecidas pelo governo, o marido dela, Bernardo, é militar, e sempre precisa cumprir com os deveres da profissão.

“Fizeram um plano de contingência e vão trabalhar o mínimo de pessoas que seja necessário pra manter a base aérea em funcionamento. Eles fizeram um plano que vão dividir de 15 em 15 dias”, explica Grasiela.

Mesmo fora de casa boa parte do tempo, quando Bernardo retorna, as roupas e calçados são tirados ainda do lado de fora e uma desinfecção é realizada. Chaves são colocadas no álcool e ele lava os pés em uma bacia com água sanitária. “É assim o nosso cotidiano agora”, afirma a esposa.

Aulas em casa

Desde a última sexta-feira, quando as escolas foram fechadas na Espanha, todas as crianças e jovens têm seguido uma linha diferente com relação às aulas.

O filho de Grasiela, Marcos, de oito anos, mesmo em casa depois de todos esses dias, está tendo aulas virtuais junto da turma. O colégio onde ele estuda possui um blog, segundo a mãe, e através dele as aulas funcionam quase normalmente.

“Todos os dias, os professores vão colocando os deveres e eles têm que seguir um ritmo, porque é importante para eles não perderem os conteúdos da classe”, explica a mãe, que se senta ao lado do filho na sala de casa para acompanhar os deveres e também para trabalhar na loja virtual.

Duas vezes por semana, Marcos e a turma têm aulas virtuais com o professor, onde o mestre explica a matéria e depois passa o dever de casa.

“Com criança é difícil, mas a gente tenta que eles façam a rotina diária como se estivessem saindo de casa, levantando a hora que eles têm que ir pro colégio, tomar café, se vestir e não ficar em pijama, e seguir com a vida como se a gente fosse sair de casa, todos os dias, todas as manhãs”, diz Grasi, que faz as refeições junto do filho e pratica exercícios físicos com ele.

“Parecia o apocalipse”

“Queria conscientizar a população, porque isso não é fácil, que ninguém leve na brincadeira, porque aqui a situação é muito crítica”, alerta

A família de Grasiela, junto de todas as outras, está confinada em casa há oito dias e todos só podem sair para ir ao mercado ou farmácia. Conforme o relato da brasileira, no mercado as pessoas são abordadas por um guarda de segurança que verifica se as pessoas estão protegidas ou não com luvas e máscaras.

“Agora tem bem pouca pessoa nos supermercados, porque está bem controlado, mas tipo, na sexta-feira, no primeiro dia em que não tinha colégio, não tinha nada, que já foi decidido que as pessoas tinham que ficar dentro de casa, parecia um apocalipse, as pessoas arrasando tudo nos supermercados, comprando tudo […] A sensação era que ia acabar o mundo quando no dia 13 realmente decretaram o confinamento e que a partir do dia 16 se proibiria a livre circulação”, relembra Grasiela.

Segundo ela, as pessoas passaram a comprar muita coisa, não sobrando bandejas de carne e até levando montantes de papel higiênico das prateleiras. Porém, apesar de toda essa confusão, informaram que os estabelecimentos já haviam sido reabastecidos, mas ela não tem certeza disso.

Medo pelos mais velhos

Como a situação vem se agravando cada vez mais, com novos casos de coronavírus surgindo a todo momento, os cuidados estão sendo redobrados nos estados e países.

A ponteserradense se diz muito preocupada com os idosos, já que eles fazem parte do grupo de risco, junto dos diabéticos, hipertensos e quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença respiratória crônica.

“Os jovens também não têm que bobear, porque aqui tem gente morrendo de 20, 30 anos, gente rica, gente pobre, isso não vai de idade e nem de classe social, e temos que nos conscientizar e ficar em casa”, alerta.


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