Profissionais de Santa Cecília criaram equipamento em torno de R$ 2 mil

7 de abril de 2020

Em meio a números alarmantes de registros por morte de Covid-19 no mundo todo, um grupo de engenheiros de Santa Cecília desenvolveu um respirador de baixo custo para contribuir ao combate a pandemia. O equipamento é o único recurso utilizado em casos mais graves da doença, que causa complicações respiratórias, e custa cerca de R$ 15 mil no mercado. A criação ceciliense deve custar em torno de R$ 2 mil.  

O trio, formado pelos engenheiros Fábio Gabriel Pinto Oliveira, Willian Lapinski e Gilmar Demenek, pretende atender, principalmente, hospitais de municípios de pequeno porte que possuem poucos recursos, já que os picos de pandemia em outros países já demonstraram a importância deste equipamento para salvar vidas.

“Fizemos um protótipo de madeira e agora um protótipo de acrílico, o maior desafio foi a parte de setup, pois é um equipamento robusto, que pode ser trabalhado dois ou três meses sem ser desligado. Umas das maiores preocupações era do equipamento funcionar para resolver o problema em si, e agora é a liberação do equipamento para ser produzido em larga escala”, comentou Fábio, um dos engenheiros responsáveis pelo projeto. A preocupação do grupo também é de acesso aos fornecedores, já que houve paralisação em vários segmentos como forma de prevenção de circulação do vírus.

Custo

O investimento dos especialistas para tirar a ideia do papel foi entre R$ 5 e 6 mil. “O protótipo em si tende a ser mais caro pois há o financiamento de produto e testes, que demandam mais materiais. Para o consumidor final, o produto sai abaixo de R$ 2 mil. Ainda não conseguimos precisar o valor pois precisamos acertar com fornecedores, pode ser que fique ainda mais baixo”, explicou Fábio.

Todo o financiamento foi feito pela Autom, empresa do trio, e teve apoio da Cruz Vermelha de Santa Cecília e Secretaria de Saúde de Santa Cecília, com auxílio de equipe médica.

Desenvolvimento

A máquina foi construída em sete dias. “Chegávamos as 7 de manhã e saíamos a meia noite todo dia, foram cinco dias de protótipo e dois dias de montagem do protótipo final”, relembrou. O trio têm experiência em desenvolvimento de equipamentos industriais, mas essa é a primeira vez que constrói uma máquina para área da saúde. “Foi um desenvolvimento complicado, pois conhecemos a parte de engenharia. Sou especialista em eletrônica e programação, mas trabalhamos mais em área industrial. O projeto foi simples, o problema maior foi o setup da máquina, como o tempo de abertura e fechamento. Por isso foi muito importante a ajuda do doutro Carlos Langer, médico do Pronto Socorro de Santa Cecília.”, destacou o engenheiro.

Próximos passos

O trio pretende regularizar o equipamento e já planeja produção em larga escala. “Estamos tentando fazer um sistema de manufatura para produzir entre 100 e 200 respiradores semanalmente”, adiantou Fábio.

Através de contato pela Cruz Vermelha do município, a criação chegou ao conhecimento do presidente nacional do grupo, Peter Mauree, que já mostrou interesse em apresentar o projeto para o mundo todo, visando utilizar os respirados para pacientes de diversas doenças, além da Covid-19. Fábio já adiantou que o time de engenheiros também planeja novas criações parecidas com esta para auxiliar em recuperação de vítimas em lugares de guerra, afastados de grandes centros, por exemplo.

Projeto terminado. Autom automação em parceria com Cruz vermelha de Santa Cecília. Respirador automático com ajuste de ciclo e tempo de enchimento.

Publicado por Fabio Gabriel P O em Segunda-feira, 30 de março de 2020

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