Ana Paula Gomes, também diagnosticada com coronavírus, não teve mais contato com o marido desde 28 de março, quando ele foi internado. Marcos Roberto Tokumori, de 53 anos, morreu na madrugada de terça-feira

22 de abril de 2020

O agente administrativo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Santa Catarina, Marcos Roberto Tokumori, de 53 anos, é uma das 37 pessoas que morreram com coronavírus no estado. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, desde o dia 28 de março e morreu na madrugada de última terça-feira (21).

A mulher do agente, Ana Paula Gomes, conta que não teve mais contato com o marido desde a internação dele. Ela também recebeu o diagnóstico de Covid-19 dias depois do esposo ter a confirmação.

Segundo Ana Paula, os dois estavam em isolamento desde março e ela não faz ideia de como podem ter contraído o vírus. “Nós somos saudáveis, sem nenhum problema de doença pré-existente que era enquadrado como grupo de risco. Não fazemos ideia de há quanto tempo vírus estava com a gente incubado”, diz.

Nenhum dos dois havia viajado recentemente e ambos trabalhavam em home office. Ela, que é funcionária dos Correios, estava afastada do trabalho desde o início de março por causa de um resfriado, e conta que Marcos já trabalhava de casa quando o Governo do Estado decretou a quarentena.

Nesta mesma semana, os primeiros sintomas começaram a aparecer, como tosse, espirro, febre e dores no corpo. De acordo com Ana Paula, o estado de saúde de Marcos começou a piorar a partir do dia 23 de março, quando começou a ter tosse seca, perdeu o olfato e a fome.

A esposa do agente recorda que levou o companheiro à policlínica no dia 27 de março e no dia seguinte ao hospital após perceber que ele estava com falta de ar.

Apesar de Marcos ter sido diagnosticado com a doença quando já estava no hospital, Ana Paula conta que não pode mais ter contato com o esposo desde o momento em que ele deu entrada na unidade, no dia 28 de março.

“Primeiro ele foi clinicamente diagnosticado com Covid-19, não me deixaram vê-lo e tive que ir embora sem me despedir. Ainda voltei no hospital, pois a chave do apartamento estava com ele, e não me deixaram pegar, apenas trouxeram. Nunca mais pude vê-lo, pois já estava em isolamento”, relatou.

Despedida solitária

O corpo de Marcos foi cremado em Florianópolis, na tarde de terça-feira (21). O corpo foi escoltado do hospital onde o agente havia ficado internado até o Cemitério da Paz, onde Ana Paula e os colegas de trabalho da PRF fizeram uma homenagem durante a cremação.

A família do Marcos vive em Caraguatatuba (SP) e Carapicuíba (SP) e a de Ana Paula, em Minas Gerais. De acordo com ela, são idosos e, portanto, do grupo de risco da doença, e não puderam viajar para se despedir de Marcos.

“Não tivemos acesso ao corpo nem à cremação”, conta.

Ana Paula e Marcos estavam casados há 17 anos. Em 2014, Marcos se mudou para Florianópolis após passar no concurso da Polícia Rodoviária Federal. No ano seguinte, Ana Paula veio também após conseguir transferência do trabalho.

Homenagens

Marcos começou a trabalhar na Polícia Rodoviária Federal (PRF) em junho de 2016, no Núcleo de Logística (NULOG) do órgão. A PRF divulgou um vídeo em homenagem a Marcos.

Ana Paula diz que, por estar sozinha em Florianópolis, foram os colegas de trabalho do agente administrativo da PRF que cuidaram do velório. Ela conta também que tem recebido assistência psicológica e auxílio durante o tratamento da doença.

“Eles me acolheram, deixei eles fazerem todas as homenagens que queriam. Fiquei surpresa o quanto eles gostavam dele. Nunca pensei que meu marido fosse tão querido”, diz, emocionada.

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