Os primeiros 50 respiradores chegaram ao estado nesta semana e aguardam o processo de nacionalização no terminal de cargas do Aeroporto de Florianópolis

18 de maio de 2020

A empresa Exxomed, que detém junto à Anvisa o registro para importação de respiradores do modelo Shangrila 510S, comprados pelo governo de Santa Catarina, pretende notificar a agência afirmando que não autorizou a importação dos equipamentos e pedindo que a licença de importação seja indeferida, o que impediria a liberação dos produtos na alfândega.

Os primeiros 50 respiradores chegaram ao estado nesta semana e aguardam o processo de nacionalização no terminal de cargas do Aeroporto de Florianópolis. Os equipamentos já eram alvo de uma apreensão pedida pelo próprio governo estadual em uma ação judicial, medida que deve ser cumprida pela Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic).

O CEO da empresa Exxomed, Onofre Neto, afirmou que as importações do modelo Shangrila 510S precisariam ser feitas pela empresa ou com autorização dela, mas que a companhia não recebeu qualquer contato dos compradores dos ventiladores a serem enviados para SC e que desconhecia a compra.

A notificação extrajudicial será enviada pelos advogados da empresa na segunda-feira, dia 18. A empresa também se colocou à disposição para ajudar na perícia dos respiradores que a Deic pretende fazer. Por possuir o registro de importação, a Exxomed precisa autorizar a compra para a entrada no país. Onofre diz que soube esta semana que os respiradores envolvidos na polêmica aquisição em SC seriam do modelo cuja empresa tem registro.

O empresário afirma ainda que o modelo Shangrila 510S, prometido pela Veigamed para o governo de SC, possui duas versões, uma para transporte e outra chamada de beira de leito, mas que nenhuma delas é recomendada para o uso em Unidades de Terapia Intensiva.

“Eles são respiradores para situações semicríticas. Foram muito usados em Wuhan, na China, logo quando os pacientes chegavam ao hospital com sintoma de covid-19. Eles colocavam o paciente no respirador para não deixar ele chegar a um estado crítico, mas se o paciente já chega em estado crítico, não é esse o ventilador indicado”, afirmou Neto, dizendo que neste caso o modelo recomendado seria o VG70, da mesma fabricante.

O advogado da Veigamed, Ricardo Wille, afirmou que a empresa não foi notificada desse pedido da Exxomed e que desconhece a companhia. Em nota, a empresa também afirmou que está cumprindo todas as etapas burocráticas do processo de liberação dos respiradores e que até o momento a empresa não foi informada se a nacionalização já foi autorizada ou se houve alguma exigência.

Os respiradores foram comprados pelo governo catarinense em negociação com a empresa Veigamed e estão no centro de uma investigação que apura suposta fraude com envolvimento de empresários e agentes públicos. O governo pagou R$ 33 milhões antecipadamente por 200 ventiladores pulmonares.

Neste sábado, dia 16, a Floripa Airport informou que os respiradores seguiam no terminal, à espera do registro de declaração de importação a ser feita pelo importador.

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