Diante da lotação das UTIs da região e da ampliação dos casos nas enfermarias, Dr. Maurício reforça a necessidade de retomar os cuidados mantidos no início do período da pandemia

22 de julho de 2020

O médico nefrologista Dr. Maurício Mosna reforçou a necessidade de que a população aumente os cuidados preventivos diante da pandemia durante uma entrevista à Rádio V na tarde da última terça-feira, 21.

Segundo o doutor, Santa Catarina teve um aumento dos casos de contaminação pelo coronavírus nas últimas semanas, o que já era esperado em função do inverno e da ampliação dos casos de questões respiratórias comuns à estação. O Estado apresenta aumento diário de casos e a situação não tem sido diferente na região Meio-Oeste, o que pode ser verificado pelos dados de cada município, cujo crescimento do número de contaminados e de ativos é diário.

A percepção do médico é que o impacto das primeiras informações assustou a população e promoveu um cuidado preventivo grande.

“Parece que a população deu uma relaxada nos cuidados agora. As pessoas viram as mortes na Itália, na Espanha, e tiveram uma falsa sensação de segurança, de que o vírus ainda não tinha chegado aqui. Temos que entender que a pandemia chegou e chegou com força! O vírus está na comunidade e não temos mais como saber se a pessoa infectada teve ou não contato com outro infectado, embora isso seja importante. Devemos considerar que todos estamos suscetíveis a sermos contaminados. O perigo não acabou, a pandemia ainda está aí!”, disse.

A preocupação do Dr. Maurício vai ao encontro da preocupação de outros profissionais de saúde que observam a lotação das UTIs em todo Estado e aumento de casos nas enfermarias. Com o aumento do número e casos, cresce igualmente o número de transmissão do vírus. Isso significa que os cuidados iniciais que a população tomou no início da pandemia, em meados de abril, devem ser retomados. “Mesmo que existam casos assintomáticos, quando essa pessoa for contaminada pode transmitir para um idoso ou para alguém que tenha algum problema de saúde mais grave”, explica o doutor.

Contaminação na própria família

De acordo com Dr. Maurício, a contaminação dentro do próprio núcleo familiar é muito comum, tal como a contaminação entre os profissionais da saúde, já que em ambos os casos têm-se pessoas não-contaminadas expostas diante do cuidado com alguém contaminado. Muitas vezes, alguém do núcleo familiar pode ser assintomático, porém essa pessoa ainda pode contaminar os demais.

Lotação das UTIs

A liberação dos leitos de UTI para tratamento da COVID-19 atende a critérios estabelecidos e regulados pela Secretaria de Saúde do Governo do Estado. Na região, somaram-se 14 leitos específicos para a doença, distribuídos entre os hospitais de Videira, Joaçaba e Caçador. Entretanto, segundo Dr. Maurício, já não há mais vagas em nenhum deles.

“Em Videira, por exemplo, já não temos mais vagas para isolamento do coronavírus na UTI. Tínhamos dois leitos específicos para isso, além dos nossos 18 leitos normais, mas todos estão ocupados. O mesmo acontece com os 12 leitos de Caçador e os 10 leitos de Joaçaba. A minha intenção ao trazer esses dados não é promover o pânico, mas dividir a informação. Há um aumento do número de casos, de internações e faltam leitos na UTI. Embora a maioria dos pacientes venha a desenvolver poucos sintomas ou até fique assintomático, as estatísticas mostram que 20% vai precisar do sistema de saúde e 5% vai precisar de UTI. Esses números existem e estão aumentando. Isso quer dizer que quanto maior for a prevenção, mais o sistema de saúde poderá atender”, informa.

Orientações

Diante da lotação das UTIs da região e da ampliação dos casos nas enfermarias, Dr. Maurício reforça a necessidade de retomar os cuidados mantidos no início do período da pandemia.

“Se você precisa sair de casa para trabalhar, vá de máscara. Também use máscara no ambiente de trabalho. Evite proximidade social e reuniões sociais; sabemos que os jovens continuam se reunindo e fazendo festas, mas esse momento exige cuidados maiores com a nossa saúde e com a saúde das pessoas mais próximas. Na medida do possível, fique recluso em casa, mais tranquilo, e não esqueça de usar álcool em gel. No momento, ser amigo é ficar distante!”, conclui.

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