Crime foi consequência da reação “amei” na rede social Facebook

13 de novembro de 2020

Após 15h de Júri Popular, os réus J. C. P e seu esposo R. B (cujo a defesa pediu para que fosse poupados os nomes completos) foram condenados pelo crime de homicídio tentado, ou seja, o homicídio não teria se consumado por circunstâncias alheias às vontades dos acusados. A acusação teve ainda as qualificadoras de motivo fútil e de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificultou a defesa da vítima.

O júri contou com o depoimento de pelo menos quatro testemunhas. Os réus também exerceram o seu direito de se defender perante os jurados respondendo as perguntas do juiz, do promotor de justiça e da advogada de defesa. O Júri teve réplica e tréplica se estendendo até 00h30 desta sexta-feira, quando começou a ser lida a sentença.

Os réus foram julgados de forma individual mas acabaram pegando a pena: 10 anos e 8 meses de reclusão em regime inicialmente fechado. A dosimetria da pena em um crime de tentativa de homicídio varia com o estado de saúde em que a vítima ficou. Quanto mais se aproxima de homicídio consumado, maior a pena. Ao contrário do que pediu a defesa, a ré, J. C. P. não recebeu o benefício da confissão.

Já no caso do homem, R. B., o agravante foram os antecedentes criminais. Ele foi encaminhado ao Presídio, onde já estava. Já, ela, continuará na prisão domiciliar, onde se encontra desde o início da pandemia cuidando do filho de apenas 4 meses. 

O sessão de julgamento foi presidida pelo juiz André da Silva Silveira, titular da unidade. A acusação ficou a cargo do promotor de justiça, Diego Henrique Siqueira Ferreira. A defesa dos dois acusados ficou a cargo a Advogada Márcia Helena Silva.

O crime

O crime aconteceu na madrugada de 10 de março de 2019 na rua Odelir Godinho, no bairro Bello. A vítima, Alex Moraes, 32 anos, foi violentamente agredida a chutes, golpes com bastão de madeira e facão, causando ferimentos graves e quase a amputação de membros.

De acordo com os depoimentos, a vítima, que manteve conversa em redes sociais com o perfil da acusada, sendo atraído a local próximo de sua residência, sendo recepcionada a golpes de facão e de pedaço de madeira, com cortes profundos nos braços e pernas.

As agressões apenas cessaram em razão da intervenção de vizinhos, que acordaram com o barulho e advertiram os agressores.

A vítima foi prontamente socorrida e encaminhada ao Hospital Maicé, onde foi submetida a diversas cirurgias e ficou internada por semanas, com risco de amputação dos membros inferiores e superiores, além de sequelas.

A vítima, Alex Moraes, acompanhou toda a sessão do júri. Logo pela manhã ele deu seu depoimento perante os jurados provando que alimentava a versão correta da história, no entendimento de júri.

Em depoimento, Alex confirmou uma emboscada. Que no dia dos fatos estavam em uma “DR” com a sua atual esposa. Por esse motivo, para se vingar dela resolveu enviar mensagem para a ré.

No momento do encontro, a ré apareceu dirigindo um carro, acompanhada de outros dois  homens. Ele viu o carro vindo na sua direção e acabou o atingindo. Nesse momento já foi recepcionado com golpes de facão e pauladas que deixaram marcas que Alex carrega até hoje. 

De acordo com a família da vítima, foram gastos mais de R$ 50 mil em procedimentos cirúrgicos e mesmo assim, as cicatrizes continuam por todo o corpo. Alex quase teve os dedos das mãos amputados. Ficou traumático e ainda tem surtos.

Na época dos fatos, sua esposa estava grávida. De acordo com a esposa de Alex, o bebê acabou nascendo prematuro. E atualmente ela tem crises de pânico. Após ouvir a leitura da sentença, Alex e a família comemoraram: “A justiça foi feita em Caçador”.

Depoimento dos réus

Os réus também tiveram a oportunidade de se defender. A mulher disse em julgamento que jamais armou emboscada. Que no dia dos fats estava fazendo um churrasco em sua casa para assistir a uma luta. Convidou o seu esposo para tentar uma reconciliação, já que também estavam separados.
No meio do churrasco ouviu-se o barulho de uma notificação da rede social Facebook. O seu esposo pediu se ela não iria ver quem ela, e ela respondeu: “Eu não, olha quem é”. Depois, ela teria ido ao banheiro e respondido a mensagem. De acordo com ela, o objetivo em marcar o encontro com a vítima Alex era de descobrir uma suposta traição de seus esposo.

Quando o churrasco acabou, a ré decidiu levar seu esposo e mais uma amigo para casa. Quando deixou eles em casa, foi encontrar Alex. De acordo com a versão dos acusados, ela estava falando com Alex quando os outros dois homens apareceram.
O homem que também foi condenado, disse que nesse momento só pedia a chave do carro para a mulher e e que Alex apareceu com um facão. Então eles se defenderam.

Após as agressões, entraram no carro e voltaram para a casa da ré.
A advogada de defesa disse que irá recorrer na decisão.

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