Leitos de UTI estão escassos na Grande Florianópolis (Foto: Robson Valverde/SES)

24 de fevereiro de 2021

Os hospitais da Grande Florianópolis enfrentam um cenário de colapso. Relatos de diferentes unidades dão conta de que o atendimento está superlotado para dar conta de suportar os casos de Covid-19 que se acumulam nos últimos dias. Um médico intensivista do HU (Hospital Universitário da UFSC), em Florianópolis, conta que cada vez mais jovens estão sendo internados. Nesta terça-feira, por exemplo, o profissional teve que escolher dois entre quatro pacientes para ocupar as vagas disponíveis de internação.

Rafael Lisboa, que atua na UTI do HU, afirma que estamos passando pelo pior momento da pandemia. Pelos relatos de colegas da Grande Florianópolis, pacientes com indicação da unidade de terapia intensiva estão sendo deixados nos corredores, emergências e enfermarias pelo colapso no sistema hospitalar.

— Hoje (terça-feira) mesmo tive que fazer a escolha de Sofia (escolha difícil) entre 4 pacientes jovens para que necessitavam de tratamento intensivo, para ocupar as 2 vagas disponíveis. Contrariamente ao que a SES (secretaria de Estado da Saúde) publicou em nota, nós intensivistas não estamos deixando pacientes sem necessidade dentro da UTI. Bem pelo contrário, estamos trazendo para as UTIs apenas os casos extremamente graves, justamente pela ausência de vagas/recursos humanos disponíveis.

Os efeitos dessa falta de atendimento qualificado ocasionam uma chance menor de recuperação para quem não consegue a UTI: “Não há como fazer diferente no momento!”, lamentou o profissional.

Jovens internados com Covid-19

Nos últimos dias, os médicos intensivistas perceberam uma mudança significativa no perfl dos pacientes que estão internados. Agora eles são mais jovens, de acordo com Lisboa.

— Na faixa etária que vai dos 20-40 anos. Para você ter uma ideia, hoje (terça-feira) intubamos um paciente de 34 anos e outra de 29. Fizemos a média de idade dos últimos 48 casos internados na UTI, e ela encontra-se por volta dos 30 anos.

Para ele, o que está em andamento. é uma “mudança no perfil epidemiológico da doenaça, talvez associado com as novas variantes que estão certamente circulando entre nós”. Lisboa diz que o sistema já está em colapso e pede medidas “muito duras” do governo.

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