Família diz que demora de ambulância influenciou na decisão de levar Altair Gonçalves com oxigênio na carroceria do veículo em Chapecó. Uso de cilindros aumentou nas unidades de saúde catarinenses.

24 de fevereiro de 2021

Lúcia Viera acompanhou o marido, Altair Gonçalves Pereira, de 41 anos, na caçamba de uma caminhonete até o hospital em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, na segunda-feira (22). Com diagnóstico de Covid-19, ele estava com dificuldades de respirar e foi levado com um cilindro de oxigênio comprado pela própria família. O cabelereiro segue internado na enfermaria do Hospital Regional com quadro estável.

“Ninguém queira passar o que nós passamos naquele momento ali, vendo ele passar mal e não ter uma ambulância para socorrer”, disse a mulher.

Segundo Lúcia, Altair foi levado até o posto de saúde justamente por causa da dificuldade de respirar, após piora no quadro de saúde. Ele foi diagnosticado com coronavírus há cerca de uma semana e estava em casa.

No posto de saúde, o médico pediu que o homem fosse transferido para o Hospital Regional do Oeste. No entanto, após duas horas de espera, a ambulância solicitada não chegou, segundo a família, que resolveu voltar para casa e improvisou a transferência. Como o oxigênio não coube dentro do carro, ele foi na carroceria.

“Chegamos em casa e veio a irmã dele com a caminhonete, que foi o nosso socorro. Tentamos levar ele sem o oxigênio, mas tivemos que voltar, porque faltou ar e ele disse que não ia aguentar. Colocamos um colchão em cima da caminhonete e conseguimos chegar até lá [hospital] com ele para socorrer”, disse Lúcia.

A prefeitura de Chapecó informou que era necessário abrir uma vaga e que durante a tentativa de transferência com ambulância, a família decidiu levar o paciente.

O cilindro de oxigênio que aparece na imagem foi comprado pela família de Altair. A assessoria do Hospital Regional do Oeste, informou que não passa o estado de saúde dos pacientes, mas confirmou que o homem está internado na unidade. Segundo a mulher, Altair está sob cuidados médicos e se recuperando.

Aumento do uso de oxigênio em SC

Os hospitais em Santa Catarina ainda não registraram desabastecimento de oxigênio, mas alertam que a crescente demanda pode prejudicar os estoques no estado. Isso porque, grande parte dos pacientes com Covid-19 que dão entrada nas enfermarias precisam utilizar oxigênio: Quanto mais grave é a situação, mais insumo a pessoa terá que utilizar, segundo especialistas.

Há alerta também para possível falta de usados na intubação de quem está em situação mais grave. Com o estoque dos hospitais em baixa, o Estado pediu apoio ao Ministério da Saúde. O Ministério Público e o Tribunal de Contas também recomendaram que o Governo tome providências para evitar a falta de oxigênio e garantir o atendimento.

Na Unidade de Pronto Atendimento de São José, na Grande Florianópolis, o estoque de oxigênio previsto para durar doze dias, em razão da alta demanda, foi consumido em quatro horas por pacientes que esperavam uma transferência.

“Nós estamos acompanhado e monitorado as últimas 24 horas, 48 horas. E a gente [percebe] que reduziu o número de pacientes que chegam com a sua saturação baixa e necessitando de oxigênio”, observou a Secretária de Saúde de São José, Simara Simioni.

No Hospital Regional de Biguaçu, na Grande Florianópolis, o alto consumo também tem preocupado a administração da unidade.

“Já teve uma conversa com a empresa que presta serviço para nós. Eles vinham uma vez a cada quinze dias, [agora] estão vindo uma vez por semana fazer o abastecimento de oxigênio”, disse o diretor do Hospital Regional de Biguaçu, Marcio Sottana.

Já o hospital Celso Ramos, em Florianópolis, fez a solicitação de novos cilindros no começo do ano. A administração da unidade enviou para o governo do estado na segunda-feira (21) um documento mostrando a preocupação da unidade com a quantidade de cilindros disponíveis, “diante do cenário que estamos acompanhando a falta de oxigênio (cilindros) em outras unidades hospitalares, já estamos considerando a nossa solicitação de incremento insuficiente, pois se continuar o aumento exponencial de pacientes internados com Covid-19 em nossa unidade, vislumbramos um possível colapso no atendimento de pacientes, acarretando o risco de óbitos caso não anteciparmos uma solução imediata”, diz o ofício.

Mesmo com o risco de desabastecimento descartado pelas empresas que comercializam o produto, alguns efeitos apareceram: A UPA de São José, teve que trocar uma válvula do sistema de gases, em função do uso excessivo.

Já o Hospital Florianópolis registrou “um superaquecimento no sistema de gases na última sexta-feira (19). Como medida de segurança, a empresa de manutenção vetou o aumento do número de leitos até que seja emitido um laudo técnico e realizados as substituições necessárias.”

Alta de 25% na Grande Florianópolis

Os hospitais e UPAs compram oxigênio de empresas privadas, que são responsáveis pelo reabastecimento dos tanques do sistema de gases ou pela troca dos cilindros. A principal empresa que fornece o insumo para os hospitais da Grande Florianópolis, informou para a equipe da NSC TV que nas últimas semanas, registrou um aumento de 25% no consumo do produto na região. Segundo a entidade, a Secretaria de Saúde foi avisada do aumento.

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