Santa Catarina tem 155 pacientes na fila de espera por um leito nas Unidades de Terapia Intensiva

28 de fevereiro de 2021

Um relatório interno da Secretaria de Estado da Saúde, ao qual a coluna teve acesso, retrata a consequência mais cruel da explosão de internações por Covid-19 em Santa Catarina. Os dados mostram que, neste sábado (27), 155 pessoas estavam na fila de espera por um leito de UTI. Havia pessoas nessa condição em todas as macrorregiões do Estado.

Entre esses pacientes, 90 estavam na lista de regulação da Secretaria de Estado da Saúde como passíveis de transferência para outras regiões, caso abrissem vagas. Pessoas que não têm condições de viagem, por exemplo, devido ao estado delicado de saúde, não são incluídas nessa lista.

Os pacientes da lista de espera estão internados de forma improvisada, em enfermarias, pronto atendimentos (UPAs) e até em corredores de hospital. Eles têm auxílio de ventilação mecânica, e há casos de intubação fora do ambiente de UTI. A vaga em terapia intensiva é necessária porque garante assistência adequada e melhores chances de recuperação.

De todas as regiões, o Oeste é onde há mais pessoas na fila de espera por leitos de UTI. No sábado, eram 89. Em seguida vem a região de Joinville, com 26 pessoas aguardando vaga. As duas regiões têm também demanda reprimida por leitos de enfermaria. Em Chapecó, 38 pessoas estavam nessa fila de espera. Em Joinville, cinco.

Veja a lista de espera por UTI em cada região

Oeste (Chapecó) – 89

Meio Oeste (Joaçaba) – 15

Serra (Lages) – 4

Norte-Nordeste (Joinville) – 26

Vale (Blumenau) – 1

Foz do Itajaí (Itajaí) – 4

Sul (Criciúma) – 4

Grande Florianópolis (Capital) – 12

Até agora, pelo menos quatro pessoas morreram na fila de espera por um leito de terapia intensiva em Santa Catarina. Entre elas, a técnica em enfermagem Zeni Bueno Pereira, 53 anos, que atuava na linha de frente do combate ao coronavírus em Itajaí. Ela morreu no Hospital Santo Antônio, em Itapema, aguardando a liberação de uma vaga de UTI.

Profissionais de saúde que trabalham nos hospitais do Estado têm relatado uma explosão na necessidade de internações. Em entrevista à coluna, o superintendente de Regulação na Secretaria de Estado da Saúde, Ramon Tartari, confirmou que os pacientes que chegam às UTIs em SC são mais jovens, sem comorbidades, e em estado mais grave do que ocorria em outros momentos da pandemia.

A internação provisória de pacientes graves, fora do ambiente de UTI, é a solução possível, mas arriscada, já que está longe de ser a ideal. A médica anestesiologista Karin Schemes, do Hospital Caridade, em Florianópolis, explica que as unidades de terapia intensiva são ambientes muito bem controlados – o que é fundamental para pacientes em estado grave.

Os pacientes de Covid são extremamente graves. Quando está intubado, é monitorado na UTI o volume de ar que entra e sai, as curvas de ventilação, piora e melhora. Tem monitores na central de enfermagem, e mesmo quando o profissional não está dentro do quarto, visualiza a situação minuto a minuto. A ventilação é feita por aparelhos, e todo aparelho é sujeito a falhas. Se parou, entupiu, desconectou, isso é visto de forma imediata. Isso não ocorre nas enfermarias e ambientes fora da UTI.

Santa Catarina aumentou em 160% a disponibilidade de leitos de UTI desde o início da pandemia, mas as vagas são insuficientes para um momento de progressão descontrolada das contaminações. Os especialistas recomendam a redução na circulação de pessoas como única forma de frear a pressão sobre o sistema de saúde.

O Estado adotou ‘restrição intermitente’, válida por dois finais de semana. Neste sábado, no entanto, apesar da situação de calamidade na saúde pública e privado do Estado, houve flagrantes de pessoas e empresas desrespeitando as regras.

Fonte: Dagmara Spautz – nsctotal

Foto: Divulgação

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